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38 Solstícios de Inverno já cá cantam
Joy Division - She's Lost Control
... na ressaca do Control de Anton Corbijn. Um momento tão especial aguardado há várias semanas, concretizou-se ontem, finalmente, no cinema King. Quis o destino que o prestigiado fotógrafo que acompanhou o desenvolvimento dos Joy Division tivesse a brilhante ideia de realizar este biopic, que saiu quase perfeito: tem ritmo, uma belíssima fotografia, (da banda sonora não vale a pena falar...), e conta a estória (não sei se com h ou não... isso só Ian sabe, ou soube) da forma mais sóbria que se podia contar. Joy Division, a minha banda de culto, teve a homenagem cinematográfica merecida, apesar de não aprofundar muito bem os sentimentos de Curtis. Bem hajam, Anton e Sam Riley.
A minha selecção 2007
Dos álbuns editados em 2007, os mais amados e mais ouvidos, foram 11: Nove internacionais e dois nacionais... o critério é simples -- o equilíbrio da primeira à última faixa. Aqui fica a táctica em modo 4-4-2 (muito obrigada, Joaquim, pelos termos técnicos):
Ponta de lança -> Black Strobe (Fr) - Burn your own church
Avançado de apoio -> U-Clic (Pt) - Console pupils
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Médio esquerdo -> Interpol (NY) - Our love to admire
Médio direito -> Arcade Fire (Ca) - Neon Bible
Médio ofensivo -> Einstürzende Neubauten (De) - Alles wieder offen
Trinco -> Radiohead (UK) - In rainbows
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Defesa direito -> The Partisan Seed (Pt)- Vision of solitary branches
Defesa esquerdo -> Beirut (NM) - The flying club cup
Central de marcação -> The Devastations (Aus) - Yes U
Líbero -> Chloé (Fr) - The waiting room
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Guarda Redes -> Prinzhorn Dance School (UK) - Prinzhorn dance school
Fernanda Botelho
The Devastations
Devo dizer que estou viciada em The Devastations. Por um lado, assossio-os a um mix de Tindersticks com Nick Cave, mas não é aí que reside o que é para mim o mistério desta sedução. O mistério está na discrição. Ouve-se sem se dar conta e sabe bem. É soft e sensual, e ao mesmo tempo silêncio. Sinto-me desconcertada, pois não sou muito dada a música soft… e no entanto esta foge à regra. Descobri-os por acaso no mês passado e em pesquisas várias fui dar ao blog Limites do Silêncio e fiz um amigo.
La Linea interpreta Mozart
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E já agora, fica aqui uma sugestão a quem tem tendências depressivas: qualquer obra do W. A. Mozart (à excepção do Requien) é um excelente anti-depressivo. Está na hora: esta luz desde ontem que me está a afectar negativamente...
Arriba! Avanti Pop dell’Arte
Sonhos Pop
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Avanti Marinaio
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Poppa Mundi
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Uma noite no RRV, princípios de Junho de 1988, os Pop dell’Arte, marcaram a diferença. Fiquei sempre com a imagem de João Peste, muito singelo, a atirar malmequeres (que pareciam não acabar) para o público.
Querelle
Silence is not sexy at all...
Einstürzende Neubauten - Silence is Sexy
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Pablo Casals fotografado por Yousuf Karsh
J. S. Bach - Suite para Violoncelo (Prélude - Moderato) por Pablo Casals
Control
Einstüerzende Neubauten - Nagorny Karabach - 2007
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Einstüerzende Neubauten - Die Wellen - 2007
Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna . Einstürzende Neubauten . 4 de Maio . Aula Magna ....................................Lisboa
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Armenia - 1983
Honda
A publicidade é uma das formas mais criativas de comunicação da nossa actualidade. Neste vídeo publicitário a um automóvel, a mensagem subjacente de tudo ser calculado ao milímetro é uma constante... e funciona!
Ilusões de óptica
Cesário Verde biografado
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.
Primeiros versos de O Sentimento de um Ocidental
Primeiro Lume de Outono
Domenico Scarlatti - Sonata para Cravo em Si bemol maior L50
Faz hoje 322 anos que nasceu em Nápoles o meu bem amado Domenico Scarlatti, compositor do período Barroco. Viveu em Portugal, tendo sido compositor real na corte do megalómano D. João V e mestre dos seus adorados filhos. Depois acompanhou a princesinha Maria Bárbara de Bragança para Madrid, que se foi casar com o melómano do príncipe herdeiro de Espanha, D. Fernando VI. Ali foi pai de cinco filhos. Durante os 25 anos que permaneceu em Espanha, Scarlatti compôs mais de quinhentas sonatas para instrumentos de teclas, dedicando-se sobretudo ao cravo. Morreu em Madrid a 23 de Julho de 1757 aos 71 anos.
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Não resisti a postar aqui uma fotografia do meu primeiro lume deste Outono, feito mesmo há pouco. Este ano arrefeceu mais tarde, já estava com saudades... Agora, vou contemplá-lo como eu gosto. O fogo é belo e puxa o olhar.
Prinzhorn Dance School
You Are The Space Invader
Worker
Conhecem-se em Brighton, Inglaterra. Ela e Ele. O nome Prinzhorn é também a sua inspiração, pois, foram-no sacar ao Dr. Hans Prinzhorn, psiquiatra e historiador de arte, que se tornou célebre com o livro Expressões da Loucura, publicado em 1922, onde o autor apresenta as suas teorias sobre a psicologia da expressão, e valoriza a produção artística dos seus doentes demonstrando que a necessidade criadora está para além da desintegração da personalidade. Ele chama-se Tobin Prinz, e ela Suzi Horn. Ela toca baixo e bateria. Ele toca bateria e guitarra. Ambos cantam. Com a bênção de James Murphy (LCD Soundsystem), gravam pela DFA Records o seu primeiro single de 7’’ em Novembro de 2006. No início deste ano lançam mãos, voz e alma ao que virá a ser o seu primeiro álbum que recebe o mesmo nome da banda - Prinzhorn Dance School, e para isso refugiam-se numa casa sem telefone e sem computador.
A originalidade destes dois músicos reside no som cru e seco, simples e minimal, absolutamente essencial na forma dispensando qualquer adorno. O ambiente é forte, conciso e paranóico, marcado pela percussão e pelo baixo. A parte vocal é imperativa, muito sintética e very british, yes indeed!
Prinzhorn Dance School - Crackerjack Docker
A Inquisição dos mesquinhos
G. F. Haendel - Sarabande da Suite nº 11
Perto das 8 horas, saí de casa, fui beber o café para depois seguir para o meu local de trabalho. Entrei no carro, rodei a chave da ignição, liguei as luzes de presença (dado o céu estar nublado, a visibilidade era reduzida), coloquei o cinto de segurança e finalmente arranquei para uma viagem de 16 Km. Cerca de 25 metros à frente, um agente da Guarda Nacional Republicana, que é meu vizinho, e que por acaso até mora na casa que ele refere relativa ao local da dita contra-ordenação, avança pela estrada, na minha direcção, para me dar uma palavrinha. Eu paro o carro sem fazer ideia do que se passava – até pensei que fosse algum assunto de vizinhança, dado que moro muito perto. O guarda muito lentamente começa com uma conversa estranha (e eu cheia de pressa e meio atarantada como é normal quando acabamos de acordar, e também nervosa por estar perante uma autoridade, ainda para mais sendo ele a pessoa que é), dizendo que me tinha chamado. Digo estranha, pois àquela hora havia tal silêncio que eu não ouvi ninguém chamar ninguém e portanto deduzi imediatamente que ele queria conversa e estava decidida a despachar-me o mais rapidamente possível. Lembro-me que no final ele me diz: “Para a próxima, estacione melhor o carro e ponha o cinto de segurança”. Eu disse-lhe que sim, sem prestar a devida atenção ao que tinha acabado de ouvir, tal era a tensão que sentia de ver o tempo a passar e um horário a cumprir. Esperei que ele concluísse com um “pode seguir”, dei-lhe os bons dias, e ala para Vila Nova. No caminho de viagem aquelas palavras continuaram a ecoar nos meus ouvidos, e só então lhes dei a devida atenção e arrependi-me de não ter argumentado com o facto de ter o cinto de segurança colocado, como ele bem podia ver, e que este é um acto mecânico que eu tenho sempre antes de me fazer à estrada. Uma semana volvida, recebo um auto de contra-ordenação, vulgo, multa. A minha revolta perante tamanha maldade do agente é de tal ordem que nem fui capaz de a reclamar imediatamente. Pergunto-me: porque é que ele não me disse na altura que eu estava multada? Porquê? Pois, porque não o podia fazer – iria contra a verdade, e eu na altura ter-me-ia defendido facilmente. Atenção, são 120€, 10% do meu ordenado que mal chega para um mês. O Guarda agiu de má fé. Isto é kafkiano: primeiro paga-se, depois reclama-se, e nem se sabe o que irá acontecer, quando vão encaminhar o processo, nada! Uma vergonha do quero, posso e mando. E o mais irónico é que o Guarda nem sequer sabe quem foi Franz Kafka, nem nunca leu o Processo nem o Castelo, mas teve maldade suficiente para saber aproveitar-se do sistema, e prejudicar-me, muito provavelmente por o meu cão ter feito uma vez chichi na esquina da loja (que está sempre encerrada) ao lado da casa dele, e ele ter ficado a falar sozinho, proferindo pragas aos cães e afins, que eu bem ouvi... e foi esta a sua vingança mesquinha. É assim que começam muitas guerras.
Whiplash girlchild in the dark
A Comadre Morte
Encontrou um pobrezito e perguntou-lhe se queria ser compadre dele.
— Quero; mas tu sabes quem eu sou?
— Eu sei lá; o que eu quero é alguém para padrinho do meu filho.
— Já me não serves; porque tu dás a riqueza a uns e a pobreza a outros.
Foi mais adiante; e encontrou uma pobre e perguntou-lhe se queria ser comadre dele.
— Quero; mas sabes tu quem eu sou?
— Não sei.
— Pois, olha, eu cá sou a Morte.
— És tu que me serves, porque tratas a todos por igual.
Fez-se o baptizado e depois disse a Morte ao homem:
— Já que tu me escolheste para comadre, quero-te fazer rico. Tu fazes de médico e vais por essas terras curar doentes; tu entras e se vires que eu estou à cabeceira é sinal que o doente não escapa e escusas de lhe dar remédio; mas se estiver aos pés é porque escapa; mas livra-te de querer curar aqueles a que eu estiver à cabeceira, porque te dou cabo da pele.
Assim foi. O homem ia às casas e se via a comadre à cabeceira dos doentes abanava as orelhas; mas se ela estava aos pés receitava o que lhe parecia. Vejam lá se ele não havia de ganhar fama e patacaria, que era uma coisa por maior! Mas vai uma vez foi a casa dum doente muito rico e a Morte estava à cabeceira; abanou as orelhas; disseram-lhe que lhe davam tantos contos de réis se o livrasse da Morte e ele disse:
— Deixa estar que eu te arranjo, e pega no doente e muda-o com a cabeça para onde estavam os pés e ele escapa.
Quando ia para casa sai-lhe a comadre ao caminho:
— Venho buscar-te por aquela traição que me fizeste.
— Pois, então, deixa-me rezar um padre-nosso antes de morrer.
— Pois reza.
Mas ele rezar; qual rezou! Não rezou nada e a Morte para não faltar à palavra foi-se sem ele.
Um dia o homem encontra a comadre que estava por morta num caminho; e ele lembrou-se do bem que ela lhe tinha feito e disse:
— Minha rica comadrinha, que estás aqui morta; deixa-me rezar-te um padre-nosso por tua alma.
Depois de acabar, a Morte levantou-se e disse:
— Pois já que rezaste o padre-nosso, vem comigo.
O homem era esperto; mas a Morte ainda era mais; pois não era?
A Comadre Morte por Adolfo Coelho (1847/1919) - Contos Populares Portugueses
