Cesário Verde biografado

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(1855-1886)


Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

Primeiros versos de O Sentimento de um Ocidental

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Maria Filomena Mónica acaba de publicar a biografia de Cesário Verde - Muito obrigada, Senhora Professora. Este grandioso poeta da nossa língua, que teve a infelicidade de morrer aos 31 anos devido a uma estúpida de uma tuberculose, deixou-nos um livro de poesia, O Livro de Cesário Verde, editado no ano seguinte à sua morte pelo seu amigo Silva Pinto. Para mim, só Cesário e Pessoa sabem exprimir tão bem a alma de Lisboa.

A 19 de Julho, Jorge, o último dos irmãos, pergunta a Cesário:
- Queres alguma coisa?
- Não quero nada. Deixa-me dormir.
São estas as últimas palavras do poeta.

Primeiro Lume de Outono

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Domenico Scarlatti - Sonata para Cravo em Si bemol maior L50

Faz hoje 322 anos que nasceu em Nápoles o meu bem amado Domenico Scarlatti, compositor do período Barroco. Viveu em Portugal, tendo sido compositor real na corte do megalómano D. João V e mestre dos seus adorados filhos. Depois acompanhou a princesinha Maria Bárbara de Bragança para Madrid, que se foi casar com o melómano do príncipe herdeiro de Espanha, D. Fernando VI. Ali foi pai de cinco filhos. Durante os 25 anos que permaneceu em Espanha, Scarlatti compôs mais de quinhentas sonatas para instrumentos de teclas, dedicando-se sobretudo ao cravo. Morreu em Madrid a 23 de Julho de 1757 aos 71 anos.


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Não resisti a postar aqui uma fotografia do meu primeiro lume deste Outono, feito mesmo há pouco. Este ano arrefeceu mais tarde, já estava com saudades... Agora, vou contemplá-lo como eu gosto. O fogo é belo e puxa o olhar.

qUanTo MaiS cOnhEço aS pEsSoas, mAis GosTo dos
aNiMaiS
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God Is An Astronaut - Fragile

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Prinzhorn Dance School



You Are The Space Invader


Worker


No Books


Conhecem-se em Brighton, Inglaterra. Ela e Ele. O nome Prinzhorn é também a sua inspiração, pois, foram-no sacar ao Dr. Hans Prinzhorn, psiquiatra e historiador de arte, que se tornou célebre com o livro Expressões da Loucura, publicado em 1922, onde o autor apresenta as suas teorias sobre a psicologia da expressão, e valoriza a produção artística dos seus doentes demonstrando que a necessidade criadora está para além da desintegração da personalidade. Ele chama-se Tobin Prinz, e ela Suzi Horn. Ela toca baixo e bateria. Ele toca bateria e guitarra. Ambos cantam. Com a bênção de James Murphy (LCD Soundsystem), gravam pela DFA Records o seu primeiro single de 7’’ em Novembro de 2006. No início deste ano lançam mãos, voz e alma ao que virá a ser o seu primeiro álbum que recebe o mesmo nome da banda - Prinzhorn Dance School, e para isso refugiam-se numa casa sem telefone e sem computador.
A originalidade destes dois músicos reside no som cru e seco, simples e minimal, absolutamente essencial na forma dispensando qualquer adorno. O ambiente é forte, conciso e paranóico, marcado pela percussão e pelo baixo. A parte vocal é imperativa, muito sintética e very british, yes indeed!


Prinzhorn Dance School - Crackerjack Docker


A Inquisição dos mesquinhos


G. F. Haendel - Sarabande da Suite nº 11

O guarda que me autuou foi muito maldoso e manhoso (como se diz aqui - "macaco"), e passo a descrever o que se passou na manhã do dia 21 de Setembro:
Perto das 8 horas, saí de casa, fui beber o café para depois seguir para o meu local de trabalho. Entrei no carro, rodei a chave da ignição, liguei as luzes de presença (dado o céu estar nublado, a visibilidade era reduzida), coloquei o cinto de segurança e finalmente arranquei para uma viagem de 16 Km. Cerca de 25 metros à frente, um agente da Guarda Nacional Republicana, que é meu vizinho, e que por acaso até mora na casa que ele refere relativa ao local da dita contra-ordenação, avança pela estrada, na minha direcção, para me dar uma palavrinha. Eu paro o carro sem fazer ideia do que se passava – até pensei que fosse algum assunto de vizinhança, dado que moro muito perto. O guarda muito lentamente começa com uma conversa estranha (e eu cheia de pressa e meio atarantada como é normal quando acabamos de acordar, e também nervosa por estar perante uma autoridade, ainda para mais sendo ele a pessoa que é), dizendo que me tinha chamado. Digo estranha, pois àquela hora havia tal silêncio que eu não ouvi ninguém chamar ninguém e portanto deduzi imediatamente que ele queria conversa e estava decidida a despachar-me o mais rapidamente possível. Lembro-me que no final ele me diz: “Para a próxima, estacione melhor o carro e ponha o cinto de segurança”. Eu disse-lhe que sim, sem prestar a devida atenção ao que tinha acabado de ouvir, tal era a tensão que sentia de ver o tempo a passar e um horário a cumprir. Esperei que ele concluísse com um “pode seguir”, dei-lhe os bons dias, e ala para Vila Nova. No caminho de viagem aquelas palavras continuaram a ecoar nos meus ouvidos, e só então lhes dei a devida atenção e arrependi-me de não ter argumentado com o facto de ter o cinto de segurança colocado, como ele bem podia ver, e que este é um acto mecânico que eu tenho sempre antes de me fazer à estrada. Uma semana volvida, recebo um auto de contra-ordenação, vulgo, multa. A minha revolta perante tamanha maldade do agente é de tal ordem que nem fui capaz de a reclamar imediatamente. Pergunto-me: porque é que ele não me disse na altura que eu estava multada? Porquê? Pois, porque não o podia fazer – iria contra a verdade, e eu na altura ter-me-ia defendido facilmente. Atenção, são 120€, 10% do meu ordenado que mal chega para um mês. O Guarda agiu de má fé. Isto é kafkiano: primeiro paga-se, depois reclama-se, e nem se sabe o que irá acontecer, quando vão encaminhar o processo, nada! Uma vergonha do quero, posso e mando. E o mais irónico é que o Guarda nem sequer sabe quem foi Franz Kafka, nem nunca leu o Processo nem o Castelo, mas teve maldade suficiente para saber aproveitar-se do sistema, e prejudicar-me, muito provavelmente por o meu cão ter feito uma vez chichi na esquina da loja (que está sempre encerrada) ao lado da casa dele, e ele ter ficado a falar sozinho, proferindo pragas aos cães e afins, que eu bem ouvi... e foi esta a sua vingança mesquinha. É assim que começam muitas guerras.