G. F. Haendel - Sarabande da Suite nº 11
O guarda que me autuou foi muito maldoso e manhoso (como se diz aqui - "macaco"), e passo a descrever o que se passou na manhã do dia 21 de Setembro:
Perto das 8 horas, saí de casa, fui beber o café para depois seguir para o meu local de trabalho. Entrei no carro, rodei a chave da ignição, liguei as luzes de presença (dado o céu estar nublado, a visibilidade era reduzida), coloquei o cinto de segurança e finalmente arranquei para uma viagem de 16 Km. Cerca de 25 metros à frente, um agente da Guarda Nacional Republicana, que é meu vizinho, e que por acaso até mora na casa que ele refere relativa ao local da dita contra-ordenação, avança pela estrada, na minha direcção, para me dar uma palavrinha. Eu paro o carro sem fazer ideia do que se passava – até pensei que fosse algum assunto de vizinhança, dado que moro muito perto. O guarda muito lentamente começa com uma conversa estranha (e eu cheia de pressa e meio atarantada como é normal quando acabamos de acordar, e também nervosa por estar perante uma autoridade, ainda para mais sendo ele a pessoa que é), dizendo que me tinha chamado. Digo estranha, pois àquela hora havia tal silêncio que eu não ouvi ninguém chamar ninguém e portanto deduzi imediatamente que ele queria conversa e estava decidida a despachar-me o mais rapidamente possível. Lembro-me que no final ele me diz: “Para a próxima, estacione melhor o carro e ponha o cinto de segurança”. Eu disse-lhe que sim, sem prestar a devida atenção ao que tinha acabado de ouvir, tal era a tensão que sentia de ver o tempo a passar e um horário a cumprir. Esperei que ele concluísse com um “pode seguir”, dei-lhe os bons dias, e ala para Vila Nova. No caminho de viagem aquelas palavras continuaram a ecoar nos meus ouvidos, e só então lhes dei a devida atenção e arrependi-me de não ter argumentado com o facto de ter o cinto de segurança colocado, como ele bem podia ver, e que este é um acto mecânico que eu tenho sempre antes de me fazer à estrada. Uma semana volvida, recebo um auto de contra-ordenação, vulgo, multa. A minha revolta perante tamanha maldade do agente é de tal ordem que nem fui capaz de a reclamar imediatamente. Pergunto-me: porque é que ele não me disse na altura que eu estava multada? Porquê? Pois, porque não o podia fazer – iria contra a verdade, e eu na altura ter-me-ia defendido facilmente. Atenção, são 120€, 10% do meu ordenado que mal chega para um mês. O Guarda agiu de má fé. Isto é kafkiano: primeiro paga-se, depois reclama-se, e nem se sabe o que irá acontecer, quando vão encaminhar o processo, nada! Uma vergonha do quero, posso e mando. E o mais irónico é que o Guarda nem sequer sabe quem foi Franz Kafka, nem nunca leu o Processo nem o Castelo, mas teve maldade suficiente para saber aproveitar-se do sistema, e prejudicar-me, muito provavelmente por o meu cão ter feito uma vez chichi na esquina da loja (que está sempre encerrada) ao lado da casa dele, e ele ter ficado a falar sozinho, proferindo pragas aos cães e afins, que eu bem ouvi... e foi esta a sua vingança mesquinha. É assim que começam muitas guerras.